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Reflexão

Ciromar Garcia

Graças a um repouso forçado, permitiu-me tempo  para dentre outras coisas, fazer uma boa reflexão cujo ponto crucial era buscar entender sobre todos acontecimentos vividos até então, buscando fortalecer-me ao que está reservado por Deus.

Busquei colocar a pratos limpos a minha vida, pude assim repassar decisões, atitudes, realizações, perdas, vitórias, não fugindo a possibilidade de reabrir feridas, razão desta minha atitude, usei para comigo lealdade e sinceridade não importando se bom ou ruim se alegre ou não, aceitando as consequências pois tratava-se de um ato de mea culpa. Quis assim colocar-me diante de Deus em ato confessional, meditando sobre todo acontecido para que em ato final possa pedir perdão por todas minhas atitudes, tanto erros quanto acertos tal qual permita meu entendimento, mesmo porque neste momento aflorava o humano de meu ser eivado de medos e esperanças, pois é do mistério divino o que Deus reserva a cada um de seus filhos, não cabe aqui sob hipótese qualquer, querer decidir ou entender, mas submeter à misericórdia do Pai.

É o momento de refletir, desligo-me do que está ao meu redor voltando-me inteiramente para  o criador, deixo-me adormecer no Espírito de Deus, procuro a plenitude, meu coração já não está em meu peito e sim nas mãos do Senhor, repouso em nuvens de flocos brancos que se movem a um sopro purificando-me, busco integrar-me ao Santo onde está o esplendor da Graça de Deus, a abóboda do céu fecha-se como o domo central de um templo divino, colunas formam pórticos encimados por vitrais, luzes tênues produzem um sombrear, proporcionando uma atmosfera envolvente, embalada por uma musica de sonoridade divina que penetra em meus ouvidos, é um canto maravilhoso, são vozes límpidas e orfeônicas que fazem estremecer meu espírito, embala-me em êxtase, objetivo o Sagrado, sinto a forte presença de Deus.

Inebrio-me, pela magia santificadora da graça, alma e espírito entregues à paz envolvente que alimenta e purifica, proporcionando fortalecer-me no Amor do Pai, enquanto a serenidade traz-me de volta ao meu mundo, sinto-me modificado, inundado pela força divina que impulsiona, alarga a visão, indica o caminho a seguir, não importando quais e quantos obstáculos surjam, tenho como enfrenta-los, pois fui forjado e purificado pelo fogo do Espírito Santo.

A marca do reencontro está em mim, no coração a certeza de que aconteça o que for, Deus jamais me abandonará, suas mãos estarão sempre estendidas e em seus braços encontro o acolhimento, pois em sua fidelidade está a certeza de que ao seu lado haverá sempre um lugar preparado com amor para receber a seus filhos, assim é Deus, Amoroso e Misericordioso.

“ Quando te invoco, responde-me, Ó Deus, meu defensor !

Na angustia tu me aliviaste;

Tem piedade de mim, ouve minha prece! “

Sal 4-2.

Dores do Momento

 

 

Ciromar Garcia

Existem momentos em nossa vida que buscamos refugio no deserto à procura de paz, e em consequência buscar encontrar forças para enfrentar e suportar situações decorrentes da avalanche que nos esmaga, embota nosso raciocínio, empurra-nos para o precipício e nos apavora a certeza de que nossas asas não suportarão o peso de nosso desespero, pois tudo em nós está ruindo, tal qual as muralhas de Jericó pela ação devastadora da turba que busca ferir-nos mortalmente, esmagando-nos  sem piedade.

É o caos físico e emocional que implacavelmente nos sufoca, minam nossas forças subtraindo nossa razão.

A busca do deserto se faz urgente, para que consigamos afastados de tudo e todos, pois ferve no caldeirão da bruxa, amor e afagos suplantados pelo desamor e insultos, ironizando os sentimentos que levamos dentro de nós, apedrejam nosso coração, como que a uma adultera que ousou entregar-se ao amor.

Doe-nos profundamente ver a enxurrada levar vala abaixo todo sentimento que ousamos armazenar em nós, na  esperança  de  que  ali estava  alicerçada a  vida  que  sonhávamos.

No silencio do deserto esperamos encontrar em Deus a paz que procuramos e necessitamos desesperadamente, para abrindo nosso coração à ação do Espírito Santo, varrer  mágoas,  iras, animosidades, incompreensões  ou qualquer sentimento  que  não  coadune-se  com  a Santidade  que  buscamos,  pois  estes  não  nos  pertence, Deus  nos  fez  para  o  amor, moldou-nos a sua  imagem e semelhança e  sob  esta  ótica lutamos  para   sobrepujar  toda  infâmia  com a  qual  tentam  nos  vitimar, não  permitindo nem  por  pensamento , reação   ou ação impensada  tomemos  decisões  que   nos  trarão  por  certo consequências   que  nos   provocarão  marcas  profundas.

Assim perdido na imensidão do caos,  rogo ao Pai, que  sua  misericórdia esteja ao alcance para  que  possamos nos  revigorar  na aridez  do  deserto, e no  retorno  à  caminhada possa  mitigar a  sede com a  agua  pura tal qual a  oferecida  por   Jesus  à  Samaritana, pois  ali  sorveremos  gole a  gole   na  esperança  e certeza  que   tal   graça   é  concedida  a  todos àqueles  que  saciados  em Deus  possa  conservar   seu  coração  aberto a  receber e  proporcionar  amor.

 

“Deus, escutai minhas palavras, leva  em conta o  meu  gemido.

Ouve atento o meu grito  por  socorro, MEU Rei   e  Meu   Deus”  (Salmo 5; 2-3)

AQUARELA

 

 

Ciromar Garcia

 

O dia transcorria preguiçoso, vez que uma chuva fina aspergia-se sobre a paisagem, querendo talvez massagear a natureza, que a algum tempo ressequia-se pelo sol inclemente, mesmo do já distanciado verão. Imerso ou talvez perdido pelos labirintos de minhas lembranças, na volúpia de transformar tais momentos, bons ou ruins em uma bela aquarela. Sim, em aquarela, não permitindo assim que sejam carregados em cores, evitando que em algum momento, a dor ou a saudade movidos pela nostalgia, domine as nuances que os retratam, um viés que propicia enredar-se por vales suaves e por outras em profundos e sombrios, sitiados pelas íngremes escarpas.

Talvez seja esta a alternativa para que os momentos sejam por igual analisados sem que sejam mensurados, tomando-os sim, em uma somatória tal qual o compasso de uma melodia com baixos, graves e agudos, trilha sonora que embalam nosso caminhar. Prefiro assim, elevar o meu pensar, buscar razões para contrapor, não rotular e assim entender e aceitar que tudo que passamos ou vivenciamos, foi em razão de decisões puramente nossa, pois Deus nosso Pai nos dotou de inteligência e livre arbítrio e não nos cabe agora mesquinhar nossas atitudes de antão.

Verdadeiramente gostaria que toda minha vida fosse transposta em aquarela tal qual o sonho que sonhamos. Mas ao fecharmos os olhos, impedindo por uma veda que a luz se faça sobre nossa visão, aí na penumbra de nosso pensamento onde podemos recorrer ao registro de nossa memória, onde corremos o risco de ter maculada a aquarela imaginária pelos traços fortes do gestual nervoso que reflete as dores e paixões que teimamos em armazenar, com medo ou pudor de nos tornarmos algozes de nós mesmos, aí para tal nos esquecendo que elevando nosso pensamento a Deus, a ele consagrando nossa vida pela doação de nosso coração, conseguiremos transformar os traços rústicos e densos de uma tela medieval, em uma suave aquarela, qual sonho povoado de Anjos e Querubins.