Pedi e dar-se-vos-á.

Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, copadroeira da Europa
Os Diálogos, cap. 134

«Pedi e dar-se-vos-á.»

A tua verdade disse que, se chamássemos, seríamos atendidos, se batêssemos à porta, ser-nos-ia aberta, se pedíssemos, ser-nos-ia dado. Ó Pai eterno, os teus servos clamam por misericórdia. Responde-lhes, pois. Porque eu sei que a misericórdia Te pertence e, por isso, não a podes recusar a quem Ta pede. Batem à porta da tua verdade porque é na tua verdade, no teu Filho (Jo 14,6), que conhecem o amor inefável que tens pelo homem. É por isso que batem à porta. E é por isso que o fogo da tua caridade não poderá, não pode deixar de abrir àqueles que batem com perseverança.

Abre, pois, dilata, quebra os corações endurecidos daqueles que criaste […] Atende-os, Pai eterno. […] Abre a porta da tua caridade ilimitada, que veio até nós pela porta do Verbo. Sim, eu sei que abres mesmo antes de nós batermos, porque é com a vontade e com o amor que lhes deste que os teus servos batem e clamam por Ti, para tua honra e para a salvação das almas. Dá-lhes, pois, o pão da vida, isto é, o fruto do sangue do teu Filho único.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Salmo 83 – Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

 

Responsório (Sl 83)

— Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

— Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

— Minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo!

— Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa, e a andorinha ali prepara seu ninho, para nele seus filhotes colocar: vossos altares, ó Senhor Deus do universo! Vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor!

— Felizes os que habitam vossa casa; para sempre haverão de vos louvar! Felizes os que em vós têm sua força, caminharão com um ardor sempre crescente.

— Na verdade, um só dia em vosso templo vale mais do que milhares fora dele! Prefiro estar no limiar de vossa casa, a hospedar-me na mansão dos pecadores!

Mulher, porque choras?

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homilia 25

«Mulher, porque choras?»

Maria torna-se testemunha da compaixão de Deus, […] aquela Maria a quem um fariseu queria quebrar o arroubo de ternura: «Se este homem fosse profeta», exclamava ele, «saberia quem é a mulher que Lhe toca e o que ela é: uma pecadora» (Lc 7,39). Mas as suas lágrimas apagaram-lhe as manchas do corpo e do coração; e ela precipitou-se a seguir os passos do seu Salvador, afastando-se dos caminhos do mal. Estava sentada aos pés de Jesus e escutava-O (Lc 10,39). Vivo, apertou-O nos braços; depois de morto, procurou-O, encontrando vivo Aquele que procurava morto. E encontrou nele tanta graça, que acabou por ser ela a levar a boa nova aos apóstolos, aos mensageiros de Deus!

Que havemos de ver aqui, meus irmãos, senão a infinita ternura do nosso Criador que, para dar novo ânimo à nossa consciência, nos dá constantemente exemplos de pecadores arrependidos. Lanço os meus olhos sobre Pedro, olho para o ladrão, examino Zaqueu, considero Maria, e só vejo neles apelos à esperança e ao arrependimento. A vossa fé foi tocada pela dúvida? Pensai em Pedro, que chora amargamente a sua cobardia. Estais ardendo em cólera contra o vosso próximo? Pensai no ladrão, que em plena agonia se arrepende e ganha a recompensa eterna. A avareza seca-vos o coração? Prejudicastes alguém? Vede Zaqueu, que devolve quatro vezes mais aquilo que tinha roubado. Por causa de uma paixão, perdestes a pureza da carne? Olhai para Maria, que purifica o amor da carne com o fogo do amor divino.

Sim, Deus todo-poderoso oferece-nos constantemente exemplos e sinais da sua compaixão. Enchamo-nos, pois, de horror pelos nossos pecados, mesmo pelos mais antigos. Deus todo-poderoso esquece com facilidade que nós cometemos o mal e está pronto a olhar para o nosso arrependimento como se fosse a própria inocência. Nós que, depois das águas da salvação, nos tínhamos de novo manchado, renasçamos com as nossas lágrimas. […] O nosso Redentor consolará as vossas lágrimas com a sua alegria eterna.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes

São Justino (c.100 -160), filósofo, mártir
Primeira apologia, 1.30-31

«Muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes»

Ao imperador Adriano, César Augusto, e a Veríssimo, seu filho filósofo, e a Lício, filósofo, e ao Senado e a todo o povo romano, em nome dos homens de todas as raças que são injustamente odiados e perseguidos, sendo eu um deles, Justino, de Néapolis [Nablus] na Síria da Palestina, dirijo este discurso. […]

Argumenta-se que Aquele a que nós chamamos o Cristo é apenas um homem, nascido de um homem, que os prodígios que Lhe atribuímos são devidos a artes mágicas e que Ele Se fez passar por Filho de Deus. A nossa demonstração não se apoiará sobre dizeres, mas sobre as profecias feitas antes dos acontecimentos, nas quais temos necessariamente de acreditar: porque nós vimos, e vemos ainda, realizar-se aquilo que foi profetizado. […]

Houve entre os judeus profetas de Deus pelos quais o Espírito profético anunciou antecipadamente acontecimentos futuros. As suas profecias foram cuidadosamente guardadas, tal como haviam sido proferidas, pelos sucessivos reis da Judeia nos livros escritos em hebraico pela mão dos profetas. […]

Ora, nós lemos nos livros dos profetas que Jesus, nosso Cristo, havia de vir, que nasceria de uma virgem, que apareceria com o aspeto de homem, que curaria todas as doenças e todas as enfermidades, que ressuscitaria os mortos, que, ignorado e perseguido, seria crucificado, que morreria, que ressuscitaria e subiria ao céu, que seria e será reconhecido como Filho de Deus, que enviaria alguns a anunciar estas coisas ao mundo e que seriam sobretudo os pagãos a acreditar nele. Estas profecias foram feitas 5000, 2000, 1000, 800 anos antes da sua vinda, porque os profetas sucederam-se uns aos outros de geração em geração.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai […], esse é meu irmão, minha irmã e Minha mãe

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
Carta 142

«Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai […], esse é meu irmão, minha irmã e Minha mãe»

«Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos diz o Senhor» (Is 55,8). O mérito não consiste em fazer nem em dar muito, mas antes em receber e amar muito. Está dito que a felicidade está mais em dar do que em receber (At 20,35), e é verdade, mas quando Jesus quer tomar para Si a doçura de dar, não é delicado recusar. Deixemo-Lo tomar e dar tudo o que quiser; a perfeição consiste em fazer a sua vontade, e a alma que se entrega totalmente a Ele é chamada pelo próprio Jesus «sua mãe, sua irmã» e toda a sua família. Aliás, «se alguém Me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14,23). Oh, como é fácil agradar a Jesus, deleitar o seu coração; basta amá-Lo sem olhar demasiado para nós próprios, sem examinar excessivamente os próprios defeitos […].

Os diretores espirituais fazem-nos aproximar da perfeição levando-nos a praticar um grande número de atos de virtude e têm razão, mas o meu diretor, que é Jesus, não me ensina a contar os meus atos; ensina-me a fazer tudo por amor, a não Lhe recusar nada, a estar contente quando me dá ocasião de Lhe mostrar que O amo, mas isso acontece na paz, no abandono; é Jesus que faz tudo e eu nada faço.

Jesus dá aos seus discípulos o poder de curar os corpos, esperando confiar-lhes o poder, muito mais importante, de curar as almas. Observa como Ele mostra, simultaneamente, a facilidade e a necessidade desta obra. Efetivamente, que diz Ele? «A messe é abundante, mas os trabalhadores são poucos.» Não é para a sementeira que vos envio, mas para a colheita. […] Falando assim, Nosso Senhor incutia-lhes confiança e mostrava-lhes que o trabalho mais importante já tinha sido realizado.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Terços

Vinde a Mim

Doroteu de Gaza (c. 500-?), monge na Palestina
«Instruções», I, 8

«Vinde a Mim»

Aquele que quer alcançar o verdadeiro descanso do espírito tem de aprender a ser humilde! Tem de perceber que na humildade se encontra toda a alegria, toda a glória e todo descanso, tal como na soberba se encontra tudo o que lhes é contrário. Com efeito, porque chegámos nós a viver todas as nossas tribulações? Porque caímos em toda esta miséria? Não teria sido por causa da nossa soberba e da nossa loucura? Não teria sido por termos seguido as nossas más inclinações e por nos termos apegado à nossa amarga vontade? Mas porque o fizemos? Não foi o homem criado na plenitude do bem-estar, da alegria, da paz e da glória? Não estava no paraíso? Foi-lhe ordenado: «Não faças isso», mas ele fez. Veem o orgulho, a arrogância, a insubmissão? «O homem é louco», diz Deus ao ver esta insolência, «não sabe ser feliz. Se não tiver de passar por dias difíceis, perder-se-á completamente. Se não perceber o que é estar numa aflição, nunca saberá o que é a paz.» Então Deus deu-lhe o que merecia, expulsando-o do Paraíso. […]

No entanto, como refiro muitas vezes, a bondade de Deus não abandonou a sua criatura. Antes de novo se virou para ela e voltou a chamá-la: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei.» Como que dizendo: «Estais fatigados, estais infelizes, experimentastes o mal causado pela vossa desobediência. Vamos, convertei-vos finalmente; vamos, reconhecei a vossa impotência e a vossa vergonha, para regressardes ao vosso repouso e à vossa glória. Vamos, vivei pela humildade, vós que estáveis mortos pelo orgulho.» «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas.»

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Eu Te bendigo

Beata Isabel da Santíssima Trindade (1880-1906), carmelita
«Le Ciel dans la foi»

«Eu Te bendigo»

Fomos predestinados por um decreto daquele que opera todas as coisas segundo o conselho da sua vontade, a fim de sermos o «louvor da sua glória» (Ef 1,6.12.14). É São Paulo quem assim fala, instruído pelo próprio Deus. Como haveremos de realizar esse grande sonho do coração do nosso Deus, esse querer imutável da nossa alma? Como haveremos, numa palavra, de responder à nossa vocação e de nos tornarmos perfeitos «louvores da glória» da Santíssima Trindade?

No céu, cada alma é um louvor de glória ao Pai, ao Verbo, ao Espírito Santo, porque cada alma está fixada no puro amor e já não vive da sua própria vida, mas da vida de Deus. Então conhece-O, diz São Paulo, «como é conhecida por Ele» (1Cor 13,12); por outras palavras, o seu entendimento é o entendimento de Deus, a sua vontade é a vontade de Deus, o seu amor é o próprio amor de Deus. É, na realidade, o Espírito de amor e de força que transforma a alma porque, tendo Ele sido dado para preencher o que lhe faltava, como diz ainda São Paulo, opera nela essa gloriosa transformação (cf Rom 8,26).

Um louvor de glória é uma alma que habita em Deus, que O ama com um amor puro e desinteressado, sem se buscar na doçura desse amor; é uma alma que O ama acima de todos os seus dons e mesmo que nada tivesse recebido dele. […] Um louvor de glória é um ser em constante ação de graças. Cada um dos seus atos, dos seus movimentos, cada um dos seus pensamentos, das suas aspirações, ao mesmo tempo que o enraíza mais profundamente no amor, é como um eco do «sanctus» eterno.

Desça a vossa paz sobre ela.

São João Paulo II (1920-2005), papa
Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 2002, §§ 1-2

“Desça a vossa paz sobre ela.”

Desde 11 de setembro de 2001, por todo o mundo, as pessoas tomaram consciência, com nova intensidade, da sua vulnerabilidade pessoal e começaram a olhar o futuro com um sentido, jamais pressentido, de íntimo medo. Diante deste estado de ânimo, a Igreja deseja dar testemunho da sua esperança, baseada na convicção de que o mal, o “mysterium iniquitatis” 2Tess 2,7), não tem a última palavra nas vicissitudes humanas. A história da salvação, delineada na Sagrada Escritura, projeta uma grande luz sobre toda a história do mundo ao mostrar como sobre ela vela sempre a solicitude misericordiosa e providente de Deus, que conhece os caminhos para sensibilizar mesmo os corações mais endurecidos e alcançar bons frutos mesmo de uma terra árida e infecunda.

Esta é a esperança que anima a Igreja […]: com a graça de Deus este mundo, no qual as forças do mal parecem uma vez mais triunfar, há de realmente transformar-se num mundo em que as aspirações mais nobres do coração humano poderão ser satisfeitas, num mundo onde prevalecerá a verdadeira paz.

Os recentes acontecimentos, com os terríveis factos sangrentos aqui lembrados, estimularam-me retomar uma reflexão que frequentemente brota do mais íntimo do meu coração, quando lembro os acontecimentos históricos que marcaram minha vida, especialmente nos anos da minha juventude. Os indescritíveis sofrimentos de povos e indivíduos, vários deles meus amigos e conhecidos, causados pelos totalitarismos nazi e comunista, sempre interpelaram o meu espírito e motivaram a minha oração. Muitas vezes me detive a refletir nesta questão: qual é o caminho que leva ao pleno restabelecimento da ordem moral e social, tão barbaramente violada? A convicção a que cheguei, raciocinando e confrontando com a Revelação bíblica, é que não se restabelece cabalmente a ordem violada senão conjugando mutuamente justiça e perdão. As colunas da verdadeira paz são a justiça e aquela forma particular de amor que é o perdão.

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Jesus entrou e tomou a menina pela mão

São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Comentário ao evangelho de João, 4; PG 73, 56

«Jesus entrou e tomou a menina pela mão»

Assim que Cristo entra em nós com a sua própria carne, nós revivemos inteiramente; é inconcebível ou, mais ainda, impossível, que a vida não faça viver aqueles nos quais se introduziu. Tal como se cobre um tição ardente com um monte de palha para manter intacto o germe do fogo, assim nosso Senhor Jesus Cristo esconde a vida em nós pela sua própria carne e coloca aí como que uma semente de imortalidade, que afasta toda a corrupção que trazemos em nós.

Não é pois apenas pela sua palavra que ele realiza a ressurreição dos mortos. Para mostrar que o seu corpo dá a vida, como tínhamos dito, ele toca os cadáveres e, pelo seu corpo, dá a vida a esses corpos já em vias de desintegração. Se o simples contacto da sua carne sagrada restitui a vida a esses mortos, que benefício não encontraremos nós na sua Eucaristia vivificante quando a recebemos! […] Não basta que apenas a nossa alma seja regenerada pelo Espírito para uma vida nova. O nosso corpo denso e terrestre também deve ser santificado, pela sua participação num corpo igualmente denso e com a mesma origem que o nosso, sendo desse modo chamado à incorruptibilidade.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara.

São João Paulo II (1920-2005), papa
Mensagem para a 38.ª Jornada de oração pelas vocações, 6 de Maio 2001 (trad. © copyright Librerie Editrice Vaticana)

«Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara.»

Pai santo, fonte inesgotável da existência e do amor,
Que mostras no homem vivo o esplendor da tua glória,
E que depositas no seu coração a semente do teu apelo,
Faz com que ninguém, por negligência nossa, ignore ou perca esse dom,
Mas que todos possam caminhar com grande generosidade
Para a realização do teu amor.

Senhor Jesus, que durante a tua peregrinação nas estradas da Palestina,
Escolheste e chamaste os apóstolos
E lhes confiaste a missão de pregar o Evangelho,
De apascentar os fiéis, de celebrar o culto divino,
Faz com que, também hoje, a tua Igreja não tenha falta
De padres santos que levem a todos
Os frutos da tua morte e da tua ressurreição.

Espírito Santo, Tu que santificas a Igreja
Com a constante efusão dos teus dons,
Põe no coração dos escolhidos à vida consagrada
Uma íntima e forte paixão pelo teu Reino,
Para que, com um «sim» generoso e incondicional,
Eles coloquem a sua existência ao serviço do Evangelho.

Virgem Santíssima, tu que sem hesitar
Te ofereceste a ti própria ao Todo-Poderoso
Para a realização do seu desejo de salvação,
Suscita a confiança no coração dos jovens
Para que haja sempre pastores zelosos,
Que guiem o povo cristão no caminho da vida,
E almas consagradas capazes de testemunhar
Pela castidade, a pobreza e a obediência,
A presença libertadora do teu Filho ressuscitado.

Ámen.

Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Carta a Diogneto (c. 200)
§7, 1-4; PG 2, 1174-1175; SC 33 bis (trad. de J. L. Cordeiro, Secretariado Nacional de Liturgia, Fátima, 2004)

«Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?»

Aos cristãos, o que lhes foi transmitido não tem origem terrestre (Gal 1,12) e o que eles fazem questão de conservar com tanto cuidado não é invenção dum mortal […] mas foi o próprio Deus invisível, verdadeiro Senhor e Criador de tudo, que do alto dos céus colocou a Verdade no meio dos homens (Jo 14,6), o seu Verbo santo e incompreensível, e O estabeleceu firmemente em seus corações.

Não realizou tudo isto, como alguém poderia imaginá-lo, enviando aos homens algum subordinado, anjo ou espírito de entre os que governam as coisas terrenas ou têm a seu cargo o cuidado das coisas celestes (Ef 1,21), mas o próprio Autor e Criador do universo (Heb 11,10). Por seu intermédio criou os céus e encerrou o mar nos seus limites (Sl 104,9; Pr 8,29). Todos os elementos obedecem com fidelidade às suas leis misteriosas: o Sol, ao seguir a medida do curso dos dias; a Lua, brilhando durante a noite; os astros, acompanhando o percurso da Lua. Por Ele todas as coisas foram feitas, definidas e hierarquizadas: os céus e o que neles existe, a terra e o que ela contém, o mar e o que nele se encontra, o fogo, o ar, o abismo, os seres que existem nas alturas, nas profundidades e no espaço intermédio. Foi Ele que Deus enviou aos homens.

Não foi de modo nenhum para exercer tirania ou incutir terror e assombro, como alguém poderia pensar, que Deus O enviou, mas com bondade e doçura. Como um Rei que enviasse o seu filho rei (Mt 21,37), assim Deus O enviou como Deus. Enviou-O como Homem ao meio dos homens. Enviou-O para os salvar pela persuasão e não pela força, porque em Deus não há violência.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Ele é que deve crescer, e eu diminuir. (Jo 3,30)

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 289, 3.º para a Natividade de João Baptista

«Ele é que deve crescer, e eu diminuir» (Jo 3,30)

O maior dos homens foi enviado para dar testemunho daquele que era mais que um homem. Com efeito quando aquele que «é o maior de entre os nascidos de mulher» (cf Mt 11,11) diz: «Eu não sou o Messias» (Jo 1,20) e se humilha face a Cristo, temos de entender que Cristo não é apenas um homem. […] «Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graça sobre graça» (Jo 1,16). Que quer dizer «todos nós»? Quer dizer os patriarcas, os profetas e os santos apóstolos, aqueles que precederam a encarnação ou que foram enviados depois pelo próprio Verbo encarnado, «todos nós participamos da sua plenitude». Nós somos recipientes, ele é a fonte. Portanto […], João é homem, Cristo é Deus: é preciso que o homem se humilhe, para que Deus seja exaltado.

Foi para ensinar o homem a humilhar-se que João nasceu no dia a partir do qual os dias começam a decrescer; para nos mostrar que Deus deve ser exaltado, Jesus Cristo nasceu no dia em que os dias começam a aumentar. Há aqui um ensinamento profundamente misterioso. Nós celebramos a natividade de João como celebramos a de Cristo, porque essa natividade está cheia de mistério. De que mistério? Do mistério da nossa grandeza. Diminuamo-nos em nós próprios para podermos crescer em Deus; humilhemo-nos na nossa baixeza, para sermos exaltados na sua grandeza.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

São Bento (480-547), monge, co-padroeiro da Europa
Regra, Prólogo 19-38

«Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.»

Não há coisa mais doce para nós, meus irmãos, do que a voz do Senhor a convidar-nos. Pois na sua doçura o Senhor indica-nos o caminho da vida. […] Se quisermos habitar na morada do seu Reino, façamos boas ações; doutra maneira, nunca o conseguiremos. Como o profeta, interroguemos o Senhor nestes termos: «Quem, Senhor, poderá ser hóspede do vosso tabernáculo, quem poderá habitar na vossa montanha santa?» (Sl 14,1) A esta questão, meus irmãos, ouçamos o Senhor responder e mostrar-nos o caminho para esta morada: «O que leva uma vida sem mancha e pratica a retidão, e diz a verdade no seu interior, o que não calunia com a sua língua e não faz mal ao seu próximo» (vv. 2-3). […]

No temor do Senhor, estes homens não se vangloriam da sua boa conduta, pois consideram que o que há de bom neles não pode ser mérito seu, mas vem do Senhor […]: «Não a nós, Senhor, não a nós, mas aovosso nome dai glória» (Sl 113,1). Assim dizia o Apóstolo S. Paulo: «É pela graça de Deus que eu sou o que sou» (1Cor 15,10). […] E o Senhor diz no Evangelho: «Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.»

Dito isto, o Senhor espera de nós que, em cada dia, respondamos com atos aos seus santos conselhos. Porque os dias desta vida são-nos dados como prazo para corrigirmos o que há de mal em nós; o Apóstolo diz: «Não sabes que Deus só é paciente para que tu mudes de vida?» (Rom 2,4) E o Senhor diz na sua ternura: «Não quero a morte do pecador, mas que se converta e que viva» (Ez 18,23).

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Dar bons frutos

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
Não há maior amor

Dar bons frutos

Se alguém sente que Deus lhe pede que se comprometa na reforma da sociedade, isso é um assunto entre essa pessoa e o seu Deus. Todos nós temos o dever de servir Deus segundo o apelo que sentimos. Eu sinto-me chamada ao serviço dos indivíduos, a amar cada ser humano. Nunca penso em termos de massa, de grupo, mas sempre nas pessoas concretas. Se pensasse nas multidões, nunca iniciaria nada; é a pessoa que conta; acredito nos encontros cara a cara.

A plenitude do nosso coração transparece nos nossos actos: a forma como me comporto com os leprosos, com este ou aquele agonizante, com este ou aquele sem-abrigo. Por vezes, é mais difícil trabalhar com os vagabundos do que com os moribundos dos nossos hospícios, porque estes estão em paz, na expectativa, prontos a partir ao encontro de Deus. Mas, quando se trata de um bêbado que protesta, é mais difícil pensar que estamos frente a frente com Jesus escondido nele. Como devem ser puras e amáveis as nossas mãos para manifestarem compaixão para com essas pessoas!

Ver Jesus na pessoa que está espiritualmente mais pobre exige um coração puro. Quanto mais desfigurada estiver a imagem de Deus numa pessoa, tanto maiores devem ser a fé e a veneração na nossa busca do rosto de Jesus e no nosso ministério de amor junto dela… Façamo-lo com um sentimento de profundo reconhecimento e piedade. O amor e a alegria de servir devem ser à medida do carácter repugnante da tarefa a realizar.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano!

Seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

São Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir
A Oração do Senhor, 14-15

«Seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu.»

Não é que Deus faça o que quer, mas que nós façamos o que Ele quer. Alguma coisa poderá impedir Deus de fazer o que quer? Nós, pelo contrário, somos contrariados pelo demónio, que nos impede de obedecer em todas as coisas, interior e exteriormente, à vontade de Deus. Apesar disso, pedimos que a sua vontade se faça em nós; ora, para que tal aconteça, precisamos da sua ajuda. Não há ninguém que seja forte com base nos seus próprios recursos; a força reside na bondade e na misericórdia de Deus. […]

A vontade de Deus é aquela que Cristo fez e ensinou: a humildade no comportamento, a solidez na fé, a modéstia nas palavras, a justiça nos atos, a misericórdia nas obras, a disciplina nos costumes. A vontade de Deus consiste em não fazer mal a ninguém, em suportar aqueles que nos fazem mal, em manter a paz com os nossos irmãos, em amar a Deus de todo o coração, em amá-Lo porque é Pai e temê-Lo porque é Deus. Em nada preferir a Cristo, uma vez que Ele nos prefere a todas as coisas, em aderir inviolavelmente à sua caridade, em permanecer junto à cruz com coragem e confiança. Em mostrar constância nas palavras quando é preciso combater pelo seu nome ou a sua honra; em dar provas de confiança nas dificuldades a fim de sustentar a luta, de paciência na morte a fim de obter a coroa. É isso que significa querer ser co-herdeiro com Cristo, cumprir os preceitos de Deus, fazer a vontade de Deus.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Fecha a porta e ora a teu Pai em segredo

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

São (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho
GF 173; EP 3 (982-983)

«Fecha a porta e ora a teu Pai em segredo»

Sê assíduo à oração e à meditação. Disseste-me que já tinhas começado. Isso é um enorme consolo para um Pai que te ama como Ele te ama! Continua, pois, a progredir nesse exercício de amor a Deus. Dá todos os dias um passo: de noite, à luz suave da lamparina, entre as fraquezas e na secura de espírito; ou de dia, na alegria e na luminosidade que deslumbra a alma […].

Se conseguires, fala ao Senhor na oração, louva-O. Se não conseguires, por não teres ainda progredido o suficiente na vida espiritual, não te preocupes: fecha-te no teu quarto e põe-te na presença de Deus. Ele ver-te-á e apreciará a tua presença e o teu silêncio. Depois, pegar-te-á na mão, falará contigo, dará contigo cem passos pelas veredas do jardim que é a oração, onde encontrarás consolo. Permanecer na presença de Deus com o simples fito de manifestar a nossa vontade de nos reconhecermos como seus servidores é um excelente exercício espiritual, que nos faz progredir no caminho da perfeição.

Quando estiveres unido a Deus pela oração, examina quem és verdadeiramente; fala com Ele, se conseguires; se te for impossível, detém-te, permanece diante dele. Em nada mais te empenhes como nisso.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Rosa de Saron – Casino Boulevard (Part. Pe Fábio de Melo | Acústico e Ao Vivo 2/3)

Os Pilares da Vida e o Alimento da Alma

Vitória, ES – 02 de novembro de 2009

 Beatriz Lobo

Cresci ouvindo os servos de Deus dizerem que somos templo de Deus, que somos igrejas vivas, que devemos viver nos esforçando em purificar nossa alma. Outro dia ouvi um discurso sobre o equilíbrio entre mente e corpo, o poder da mente sobre nossas vidas. Achei este discurso um tanto incompleto e fiquei pensando sobre isso, durante todo o dia. A noite chegou e fui dormir. Tive um sonho muito interessante, sonhei que estava em uma arena. Nas arquibancadas tinha muita gente, falando, discutindo e o tema era sobre os pilares da vida. Eu estava ali somente como ouvinte, algumas pessoas gritavam. A arena estava dividida entre pessoas que afirmavam que os pilares da vida eram o corpo e a mente e outras que afirmavam que os pilares da vida eram o corpo, a mente e a alma. Fiquei muito tempo ouvindo os discursos, até que uma voz se levantou no meio da multidão. Uma voz que fez todos calarem, o silêncio reinou enquanto a voz soava serena e ao mesmo tempo forte no meio do povo. Não consegui ver de onde vinha a voz, mas pude ouvir tudo, claramente. E a voz dizia:

“ A vida é formada por três pilares, o corpo, a mente e a alma. Não existe vida se faltar algum desses pilares. Os homens se ligam uns aos outros por estes extremos. Através de seus corpos, através de seus pensamentos ou através de suas almas, assim acontecem os relacionamentos. Por algum destes pontos os homens precisam estar ligados uns aos outros, eles não foram criados para viverem isolados. Para manter o equilíbrio da vida, o homem precisa alimentar os três pilares. O corpo com o alimento da terra, é preciso estar saudável para agüentar firme até o fim. Da terra nasce o corpo e para a terra ele retorna. A mente se alimenta com o aprendizado, é preciso ser curioso e querer aprender sempre, o fim para o aprendizado é a morte do corpo. A alma é a essência, é o perfume de Deus para o corpo e a mente. Deus sopra e o corpo aspira a alma, assim começa a vida. A alma é alimentada no silêncio, nos momentos de oração, de intimidade com Deus. A alma não pertence ao mundo material, ela não é deste mundo. Alimentar a alma é tão importante quanto alimentar o corpo e a mente, se o homem manter estes três pilares alimentados, ele mantêm sua vida equilibrada.”

A voz silenciou, ouvi um burburinho, tudo se desfez e eu acordei.

Jesus nos mostrou como devemos alimentar nossa alma. Ele se retirava para o deserto ou para o alto dos montes longe dos outros, mergulhado no silêncio, conversava com o Pai. Quando mergulhamos no silêncio da oração e abrimos nosso coração ao Pai, permitimos que o Pai nos inunde com o seu amor. Inundados pelo amor do Pai enxergamos a vida por outras janelas, mudamos o foco, ficamos com os sentidos mais aguçados. Ouvimos melhor, vemos melhor, falamos melhor, o toque de nossas mãos se tornam mais sensíveis, nossos passos serão mais seguros e determinados. Inundados neste amor, alimentamos melhor o nosso corpo, valorizamos mais este templo, procuramos aprender mais desenvolvendo nossa inteligência. O amor de Deus nos ilumina e nos equilibra. Em Mateus 6, 5-14, Jesus nos ensina a orar.

“Quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas para serem vistos pelos outros. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Mas você, quando orar, vá para o seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que não pode ser visto. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa.

Nas suas orações, não fiquem repetindo o que vocês já disseram, como fazem os pagãos. Eles pensam que Deus os ouvirá porque fazem orações compridas. Não sejam como eles, pois, antes de vocês pedirem, o Pai de vocês já sabe o que vocês precisam. Portanto, orem assim:

 

“Pai nosso, que estás no céu,

que todos reconheçam

que o teu nome é santo.

Venha o teu Reino.

Que a tua vontade seja feita aqui na terra

como é feita no céu!

Dá-nos hoje o alimento que precisamos.

Perdoa as nossas ofensas

como também nós perdoamos

as pessoas que nos ofenderam.

E não deixes que sejamos tentados,

mas livra-nos do mal.

[Pois teu é o Reino, o poder e a glória,

para sempre. Amém!]”

 

Porque, se vocês perdoarem as pessoas que ofenderem vocês, o Pai de vocês, que está no céu, também perdoará vocês. Mas, se não perdoarem essas pessoas, o Pai de vocês também não perdoará as ofensas de vocês.

 

Ao Deus vivo, graças e louvores sejam dados a todo momento!

Amem.

Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«A Simple Path»

«Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.»

Digo sempre que o amor começa em casa. Primeiro está a família, depois a cidade. É fácil fingir amar as pessoas que estão longe; mas é muito menos fácil amar aqueles que vivem connosco ou que estão muito perto de nós. Desconfio dos grandes projectos impessoais, porque o importante são as pessoas. Para se amar alguém, é preciso estar perto dessa pessoa. Toda a gente precisa de amor. Todos nós precisamos de saber que temos importância para os outros e que temos um valor inestimável aos olhos de Deus.

Cristo disse: «Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.» E disse também: «Aquilo que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos, a Mim o fazeis» (Mt 25,40). É a Ele que amamos em cada pobre, e todos os seres humanos são pobres de alguma coisa. Disse Ele também: «Tive fome e destes-Me de comer, estava nu e vestistes-Me» (Mt 25,35). Recordo sempre às minhas irmãs e aos nossos irmãos que o nosso dia consiste em passar as vinte e quatro horas com Jesus.

“Meus olhos são janelas por onde minha alma aprecia a vida”

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