Ele é que deve crescer, e eu diminuir. (Jo 3,30)

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 289, 3.º para a Natividade de João Baptista

«Ele é que deve crescer, e eu diminuir» (Jo 3,30)

O maior dos homens foi enviado para dar testemunho daquele que era mais que um homem. Com efeito quando aquele que «é o maior de entre os nascidos de mulher» (cf Mt 11,11) diz: «Eu não sou o Messias» (Jo 1,20) e se humilha face a Cristo, temos de entender que Cristo não é apenas um homem. […] «Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graça sobre graça» (Jo 1,16). Que quer dizer «todos nós»? Quer dizer os patriarcas, os profetas e os santos apóstolos, aqueles que precederam a encarnação ou que foram enviados depois pelo próprio Verbo encarnado, «todos nós participamos da sua plenitude». Nós somos recipientes, ele é a fonte. Portanto […], João é homem, Cristo é Deus: é preciso que o homem se humilhe, para que Deus seja exaltado.

Foi para ensinar o homem a humilhar-se que João nasceu no dia a partir do qual os dias começam a decrescer; para nos mostrar que Deus deve ser exaltado, Jesus Cristo nasceu no dia em que os dias começam a aumentar. Há aqui um ensinamento profundamente misterioso. Nós celebramos a natividade de João como celebramos a de Cristo, porque essa natividade está cheia de mistério. De que mistério? Do mistério da nossa grandeza. Diminuamo-nos em nós próprios para podermos crescer em Deus; humilhemo-nos na nossa baixeza, para sermos exaltados na sua grandeza.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

São Bento (480-547), monge, co-padroeiro da Europa
Regra, Prólogo 19-38

«Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.»

Não há coisa mais doce para nós, meus irmãos, do que a voz do Senhor a convidar-nos. Pois na sua doçura o Senhor indica-nos o caminho da vida. […] Se quisermos habitar na morada do seu Reino, façamos boas ações; doutra maneira, nunca o conseguiremos. Como o profeta, interroguemos o Senhor nestes termos: «Quem, Senhor, poderá ser hóspede do vosso tabernáculo, quem poderá habitar na vossa montanha santa?» (Sl 14,1) A esta questão, meus irmãos, ouçamos o Senhor responder e mostrar-nos o caminho para esta morada: «O que leva uma vida sem mancha e pratica a retidão, e diz a verdade no seu interior, o que não calunia com a sua língua e não faz mal ao seu próximo» (vv. 2-3). […]

No temor do Senhor, estes homens não se vangloriam da sua boa conduta, pois consideram que o que há de bom neles não pode ser mérito seu, mas vem do Senhor […]: «Não a nós, Senhor, não a nós, mas aovosso nome dai glória» (Sl 113,1). Assim dizia o Apóstolo S. Paulo: «É pela graça de Deus que eu sou o que sou» (1Cor 15,10). […] E o Senhor diz no Evangelho: «Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.»

Dito isto, o Senhor espera de nós que, em cada dia, respondamos com atos aos seus santos conselhos. Porque os dias desta vida são-nos dados como prazo para corrigirmos o que há de mal em nós; o Apóstolo diz: «Não sabes que Deus só é paciente para que tu mudes de vida?» (Rom 2,4) E o Senhor diz na sua ternura: «Não quero a morte do pecador, mas que se converta e que viva» (Ez 18,23).

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Dar bons frutos

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
Não há maior amor

Dar bons frutos

Se alguém sente que Deus lhe pede que se comprometa na reforma da sociedade, isso é um assunto entre essa pessoa e o seu Deus. Todos nós temos o dever de servir Deus segundo o apelo que sentimos. Eu sinto-me chamada ao serviço dos indivíduos, a amar cada ser humano. Nunca penso em termos de massa, de grupo, mas sempre nas pessoas concretas. Se pensasse nas multidões, nunca iniciaria nada; é a pessoa que conta; acredito nos encontros cara a cara.

A plenitude do nosso coração transparece nos nossos actos: a forma como me comporto com os leprosos, com este ou aquele agonizante, com este ou aquele sem-abrigo. Por vezes, é mais difícil trabalhar com os vagabundos do que com os moribundos dos nossos hospícios, porque estes estão em paz, na expectativa, prontos a partir ao encontro de Deus. Mas, quando se trata de um bêbado que protesta, é mais difícil pensar que estamos frente a frente com Jesus escondido nele. Como devem ser puras e amáveis as nossas mãos para manifestarem compaixão para com essas pessoas!

Ver Jesus na pessoa que está espiritualmente mais pobre exige um coração puro. Quanto mais desfigurada estiver a imagem de Deus numa pessoa, tanto maiores devem ser a fé e a veneração na nossa busca do rosto de Jesus e no nosso ministério de amor junto dela… Façamo-lo com um sentimento de profundo reconhecimento e piedade. O amor e a alegria de servir devem ser à medida do carácter repugnante da tarefa a realizar.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano!

Seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

São Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir
A Oração do Senhor, 14-15

«Seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu.»

Não é que Deus faça o que quer, mas que nós façamos o que Ele quer. Alguma coisa poderá impedir Deus de fazer o que quer? Nós, pelo contrário, somos contrariados pelo demónio, que nos impede de obedecer em todas as coisas, interior e exteriormente, à vontade de Deus. Apesar disso, pedimos que a sua vontade se faça em nós; ora, para que tal aconteça, precisamos da sua ajuda. Não há ninguém que seja forte com base nos seus próprios recursos; a força reside na bondade e na misericórdia de Deus. […]

A vontade de Deus é aquela que Cristo fez e ensinou: a humildade no comportamento, a solidez na fé, a modéstia nas palavras, a justiça nos atos, a misericórdia nas obras, a disciplina nos costumes. A vontade de Deus consiste em não fazer mal a ninguém, em suportar aqueles que nos fazem mal, em manter a paz com os nossos irmãos, em amar a Deus de todo o coração, em amá-Lo porque é Pai e temê-Lo porque é Deus. Em nada preferir a Cristo, uma vez que Ele nos prefere a todas as coisas, em aderir inviolavelmente à sua caridade, em permanecer junto à cruz com coragem e confiança. Em mostrar constância nas palavras quando é preciso combater pelo seu nome ou a sua honra; em dar provas de confiança nas dificuldades a fim de sustentar a luta, de paciência na morte a fim de obter a coroa. É isso que significa querer ser co-herdeiro com Cristo, cumprir os preceitos de Deus, fazer a vontade de Deus.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Fecha a porta e ora a teu Pai em segredo

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

São (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho
GF 173; EP 3 (982-983)

«Fecha a porta e ora a teu Pai em segredo»

Sê assíduo à oração e à meditação. Disseste-me que já tinhas começado. Isso é um enorme consolo para um Pai que te ama como Ele te ama! Continua, pois, a progredir nesse exercício de amor a Deus. Dá todos os dias um passo: de noite, à luz suave da lamparina, entre as fraquezas e na secura de espírito; ou de dia, na alegria e na luminosidade que deslumbra a alma […].

Se conseguires, fala ao Senhor na oração, louva-O. Se não conseguires, por não teres ainda progredido o suficiente na vida espiritual, não te preocupes: fecha-te no teu quarto e põe-te na presença de Deus. Ele ver-te-á e apreciará a tua presença e o teu silêncio. Depois, pegar-te-á na mão, falará contigo, dará contigo cem passos pelas veredas do jardim que é a oração, onde encontrarás consolo. Permanecer na presença de Deus com o simples fito de manifestar a nossa vontade de nos reconhecermos como seus servidores é um excelente exercício espiritual, que nos faz progredir no caminho da perfeição.

Quando estiveres unido a Deus pela oração, examina quem és verdadeiramente; fala com Ele, se conseguires; se te for impossível, detém-te, permanece diante dele. Em nada mais te empenhes como nisso.

 

Extraído do Evangelho Quotidiano.

Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«A Simple Path»

«Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.»

Digo sempre que o amor começa em casa. Primeiro está a família, depois a cidade. É fácil fingir amar as pessoas que estão longe; mas é muito menos fácil amar aqueles que vivem connosco ou que estão muito perto de nós. Desconfio dos grandes projectos impessoais, porque o importante são as pessoas. Para se amar alguém, é preciso estar perto dessa pessoa. Toda a gente precisa de amor. Todos nós precisamos de saber que temos importância para os outros e que temos um valor inestimável aos olhos de Deus.

Cristo disse: «Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.» E disse também: «Aquilo que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos, a Mim o fazeis» (Mt 25,40). É a Ele que amamos em cada pobre, e todos os seres humanos são pobres de alguma coisa. Disse Ele também: «Tive fome e destes-Me de comer, estava nu e vestistes-Me» (Mt 25,35). Recordo sempre às minhas irmãs e aos nossos irmãos que o nosso dia consiste em passar as vinte e quatro horas com Jesus.

Ninguém vai ao Pai senão por Mim.

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 142

«Ninguém vai ao Pai senão por Mim.»

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida.» Cristo parece dizer-nos: «Por onde queres passar? Eu sou o caminho. Onde queres chegar? Eu sou a verdade. Onde queres ficar? Eu sou a vida.» Caminhemos pois em plena segurança por este caminho; e, fora do caminho, tenhamos cuidado com as armadilhas. Porque dentro do caminho o inimigo não ousa atacar – o caminho é Cristo -, mas fora do caminho monta os seus ardis. […}

O nosso caminho é Cristo na sua humildade; Cristo verdade e vida é Cristo na sua grandeza, na sua divindade. Se seguires o caminho da humildade, chegarás ao Altíssimo; se, na tua fraqueza, não desprezares a humildade, permanecerás cheio de força no Altíssimo. Porque foi que Cristo tomou o caminho da humildade? Foi por causa da tua fraqueza, que era um obstáculo intransponível; foi para te libertar dela que tão grande médico veio a ti. Tu não podias ir até ele; por isso, veio Ele até ti. Veio ensinar-te a humildade, que é um caminho de regresso, porque era o orgulho que nos impedia de retornar à vida que o mesmo orgulho nos tinha feito perder. […]

Assim, tornando-Se nosso caminho, Jesus grita-nos: «Entrai pela porta estreita!» (Mt 7,13). O homem esforça-se por entrar, mas o inchaço do orgulho impede-o de tal. Aceitemos o remédio da humildade, bebamos esse medicamento amargo, mas salutar. […] O homem inchado de orgulho pergunta: «Como poderei entrar?» Cristo responde-lhe: «Eu sou o caminho, entra por Mim. Eu sou a porta (Jo 10,7), porque procuras noutro sítio?» Para que não te percas, Ele fez-Se tudo por ti e diz-te: «Sê humilde, sê manso» (Mt 11,29).

Quem recebe aquele que Eu enviar, a Mim recebe; e quem Me recebe a Mim, recebe Aquele que Me enviou.

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
Manuscrito autobiográfico B, 2vº-3vº

«Quem recebe aquele que Eu enviar, a Mim recebe; e quem Me recebe a Mim, recebe Aquele que Me enviou.»

Ser tua esposa, ó Jesus, ser carmelita, ser, pela minha união contigo, mãe das almas, deveria bastar-me. Mas não é assim. Sem dúvida que estes três privilégios – carmelita, esposa e mãe – são a minha vocação; contudo, sinto em mim outras vocações. […] Sinto a necessidade, o desejo de realizar para Ti, Jesus, as obras mais heróicas. […] Apesar da minha pequenez, queria iluminar as almas como os profetas e os doutores; tenho vocação para ser apóstola. Queria percorrer a Terra, pregar o teu nome e implantar no solo infiel a tua cruz gloriosa, mas, ó meu Bem-Amado, uma única missão não me seria suficiente; queria, ao mesmo tempo, anunciar o Evangelho nos cinco cantos do mundo e até nas ilhas mais remotas. Queria ser missionária, não só durante alguns anos, mas desde a criação do mundo até à consumação dos séculos. […] Ó meu Jesus! A todas as minhas tolices, o que vais responder? Haverá alma mais pequena, mais impotente do que a minha? E contudo, precisamente por causa da minha fraqueza, Tu quiseste, Senhor, encher-me dos meus desejozinhos infantis, e queres agora encher-me de outros desejos, maiores que o universo. […] Compreendi que o amor continha todas as vocações, que o amor era tudo, que abraçava todos os tempos e lugares; numa palavra, que ele era a vida eterna. […] A minha vocação, descobri enfim, é o amor.

Também vós quereis ir embora?

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
Sermão 5 de de diversis

«Também vós quereis ir embora?»

Como lemos no Evangelho, quando o Senhor pregava e convidava os discípulos a comerem o seu corpo no mistério eucarístico para participarem na sua Paixão, alguns exclamaram: «Estas palavras são duras»; e desde então deixaram de andar com Ele. Tendo perguntado, porém, aos discípulos se também eles se queriam ir embora, eles responderam: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.»

Pois bem, irmãos, também em nossos dias as palavras de Jesus são espírito e vida para alguns, e esses seguem-No. Mas a outros as mesmas palavras parecem-lhes duras, e por isso procuram noutro lado uma triste consolação. No entanto, a Sabedoria continua a levantar a sua voz nas praças, advertindo aqueles que andam pelo caminho largo e espaçoso que conduz à morte (Mt 7,13), para que mudem o rumo dos seus passos. «Durante quarenta anos essa geração desgostou-Me, e Eu disse: “É um povo de coração transviado”» (Sl 94,10). Uma só vez falou Deus. Sim, uma só vez, porque Ele fala sempre; uma só vez, porque a sua fala é contínua e eterna e nunca se interrompe.

Esta voz convida os pecadores a meditarem em seu coração, a corrigirem os pensamentos do seu coração, porque é a voz daquele que habita no coração do homem e aí fala. […] Se hoje ouvirmos a sua voz, não endureçamos os nossos corações (Sl 94,8). São quase as mesmas palavras, as que lemos no Evangelho e no profeta. Efectivamente, diz o Senhor no Evangelho: «As minhas ovelhas ouvem a minha voz» (Jo 10,27). […] «Ele é o nosso Deus e nós somos o seu povo, as ovelhas por Ele conduzidas. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não endureçais os vossos corações”» (Sl 94,7-8).

Todos nós temos durezas no coração, todos nós. Se alguém de vocês não têm, levante a mão, por favor

Francisco: “Todos nós temos durezas no coração, todos nós. Se alguém de vocês não têm, levante a mão, por favor”
Serviço diário Zenit  |  15/04/16

 

Na homilia de hoje na Casa Santa Marta o Santo Padre destacou que zelar pelas coisas sagradas não significa necessariamente ter um coração aberto a Deus. E recordou que Paulo de Tarso era fiel aos princípios da sua fé, mas com o seu coração fechado, surdo a Cristo, a ponto que pediu para ir exterminar e prender os cristãos que viviam em Damasco.

A vida de Paulo se torna a “história de um homem que deixa que Deus mude o coração”, disse o Papa Francisco. Paulo é envolvido por uma luz potente, sente uma voz que o chama, cai e fica momentaneamente cego. “Saulo o forte, o seguro, estava no chão”.

Naquela condição, sublinhou o Papa, “compreende a sua verdade: não era um homem como Deus queria, porque Deus criou todos nós para estarmos em pé, com a cabeça erguida”. Mas a voz do céu não diz apenas “Por que me segues?”, mas o convida a se levantar:

“Levanta-te e te será dito, deves ainda aprender”. E quando começou a se erguer, não conseguia e percebeu que estava cego: naquele momento havia perdido a visão. ‘E se deixou guiar’: o coração começou a se abrir. Assim, levando-o pela mão, os homens que estavam com ele o conduziram a Damasco, aonde por três dias não pôde ver, não comeu e nem bebeu. Este homem estava no chão, mas logo entendeu que deveria aceitar esta humilhação. A humilhação é o caminho para abrir o coração. Quando o Senhor nos envia humilhações ou permite que elas venham, é justamente para isso: para que o coração se abra, seja dócil, se converta ao Senhor Jesus.

O coração de Paulo se derrete. O que muda, naqueles dias de solidão e cegueira, é a sua vista interior. Depois, Deus lhe envia Ananias, que lhe impõe as mãos e também os olhos de Saulo voltam a enxergar. Mas há um aspecto desta dinâmica, afirmou o Papa, que deve ser ressaltado:

“Recordamos que o protagonista destas histórias não são nem os doutores da lei, nem Estêvão, nem Filipe, nem o eunuco, nem Saulo… É o Espírito Santo. O protagonista da Igreja é o Espírito Santo que conduz o povo de Deus. E, imediatamente, caíram dos olhos de Saulo algo como que escamas e ele recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado. A dureza do coração de Paulo – Saulo, Paulo – se transforma em docilidade ao Espírito Santo”.

“É belo – concluiu Francisco – ver como Senhor é capaz de mudar os corações” e fazer que “um coração duro, teimoso, se torne um coração dócil ao Espírito”.

“Todos nós temos durezas no coração, todos nós. Se alguém de vocês não têm, levante a mão, por favor. Peçamos ao Senhor que nos mostre que estas durezas nos jogam no chão. Que nos envie a graça e também – se necessário – as humilhações, para não ficarmos no chão, mas levantarmo-nos, com a dignidade com a qual Deus nos criou, ou seja, com a graça de um coração aberto e dócil ao Espírito Santo”.

Serão todos instruídos por Deus

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita descalça, doutora da Igreja
Vida, cap. 12

«Serão todos instruídos por Deus»

Quando Deus suspende e pára o entendimento, dá-lhe o que admirar e com que se ocupar; então, sem raciocinar, recebemos no espaço de um credo mais luz do que poderíamos adquirir em muitos anos com todo o esforço do mundo. Mas querer atar as potências da nossa alma e parar a sua actividade por nós próprios é loucura. […]

Durante muitos anos, li muitas coisas sem as compreender. Em seguida, passei um tempo considerável sem conseguir encontrar termos para explicar as graças que Deus me concedia, o que foi para mim fonte de muitas penas. Mas, quando tal agrada a Sua Majestade, Ela ensina tudo num instante, e de uma forma que me deixa estupefacta. Isto é uma coisa que posso afirmar com toda a verdade. Muitos homens espirituais com quem dialogava procuraram explicar-me os dons que Deus fazia à sua alma, esperando ajudar-me assim a dar-me conta deles. A minha estupidez tornou os seus esforços inteiramente inúteis. Talvez Nosso Senhor o quisesse assim, para ter todos os direitos ao meu renascimento. Com efeito, foi sempre Ele o meu mestre. Bendito seja! Mas também, que confusão para mim que tal confissão seja a expressão da verdade! […]

Foi pois sem que eu o tenha desejado ou pedido que Deus me iluminou num instante e me pôs em estado de o exprimir. Os meus confessores ficaram surpreendidos, e eu mais ainda, porque conhecia melhor a minha incapacidade. […] Sim, volto a dizê-lo agora, é muito importante não elevarmos o nosso espírito antes que Deus o eleve. E quando Ele o faz, compreendemo-lo imediatamente.

Eu desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que Me enviou

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

São Francisco de Assis (1182-1226), fundador da Ordem dos Frades Menores
Carta a toda a ordem

«Eu desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que Me enviou»

Deus todo-poderoso, eterno, justo e bom, por nós mesmos somos apenas pobreza.

Mas Tu, por causa de Ti próprio, concedes-nos que façamos o que sabemos que Tu queres, e que queiramos sempre o que Te agrada.

Assim, interiormente purificados, iluminados e abrasados pelo fogo do Espírito Santo, tornar-nos-emos capazes de seguir os passos do teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e, apenas pela tua graça, de chegar a Ti, ó Altíssimo, que, em Trindade perfeita e em Unidade simplicíssima, Deus todo-poderoso, vives e reinas e recebes toda a glória pelos séculos dos séculos. Ámen.

Senhor, dá-nos sempre desse pão

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

São Columbano (563-615), monge, fundador de mosteiros
Instrucção espiritual, 12,3

«Senhor, dá-nos sempre desse pão»

O profeta diz: «Vós que tendes sede, ide à fonte» (Is 55,1). Trata-se da fonte dos que têm sede, e não dos que estão saciados. Ela convoca os que têm fome e sede, aos quais chama bem-aventurados (Mt 5,6); aqueles cuja sede nunca se esgota e que têm tanto mais sede quanto mais bebem dessa fonte. Devemos, pois, desejar, irmãos, a fonte da sabedoria, o Verbo de Deus nas alturas – devemos procurá-la, devemos amá-la. Nessa fonte estão escondidos, como diz o apóstolo Paulo, «todos os tesouros da sabedoria e da ciência» (Col 2,3); ela convida todos os que têm sede a virem saciar-se.

Se tens sede, vai beber à fonte da vida. Se tens fome, come o pão da vida. Felizes aqueles que têm fome desse pão e sede dessa fonte. Bebendo e comendo sem fim, continuam a desejar beber e comer; doce é esse alimento e doce essa bebida. Comemos e bebemos deles, mas continuamos a ter fome e sede; o nosso desejo está satisfeito, mas não cessamos de desejar. Foi por isso que David, o rei profeta, exclamou: «Provai e vede como o Senhor é bom» (Sl 33,9). Por isso, irmãos, sigamos aquilo a que somos chamados. A Vida, a fonte de água viva, a fonte da vida eterna, a fonte da luz e a nascente de toda a claridade convida-nos a vir e a beber (Jo 7,37). Nela encontraremos a sabedoria e a vida, a luz eterna. Nela beberemos a água viva, que brota para a vida eterna (Jo 4,14).

A obra de Deus consiste em acreditar naquele que Ele enviou

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Santo Inácio de Antioquia (?-c. 110), bispo, mártir
Carta aos naturais de Filadélfia

«A obra de Deus consiste em acreditar naquele que Ele enviou.»

Vós, filhos da luz verdadeira, fugi das querelas e das más doutrinas. Como ovelhas, segui o vosso pastor. Porque muitas vezes os lobos aparentemente dignos de fé extraviam os que correm na corrida de Deus; mas, se permanecerdes unidos, eles não encontrarão lugar entre vós.

Tende pois cuidado em participar numa única Eucaristia; não há, com efeito, senão uma só carne de Nosso Senhor, um só cálice para nos unir no seu sangue, um só altar, como não há senão um só bispo rodeado de presbíteros e de diáconos. Assim, tudo o que fizerdes, fá-lo-eis segundo Deus. […] O meu refúgio é o Evangelho, que é para mim o próprio Jesus na carne, e os apóstolos, que incarnam o presbitério da Igreja. Amemos também os profetas, porque também eles anunciaram o Evangelho, eles que esperaram em Cristo; acreditando nele, foram salvos e, permanecendo unidos a Jesus Cristo, santos e dignos de amor e admiração, mereceram receber o testemunho de Jesus Cristo e ter lugar no Evangelho, nossa esperança comum. […]

Deus não habita onde reina a divisão e a contenda. Mas o Senhor perdoa a todos os que se arrependem, se o arrependimento os levar à união com Cristo, que nos libertará de toda a opressão. Suplico-vos que não ajais com espírito de querela, mas segundo os ensinamentos de Cristo. Ouvi que alguns de vós diziam: «Só acredito que esteja no Evangelho aquilo que encontro nos arquivos.» […] Os meus arquivos são Cristo; os meus arquivos invioláveis são a cruz, a sua morte e a sua ressurreição, e a fé que vem dele. É daí que espero, com a ajuda das vossas orações, toda a minha justificação.

Tu amas-Me?

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

São João Paulo II (1920-2005), papa
Homilia em Paris 30/05/80 (© Libreria Editrice Vaticana)

«Tu amas-Me?»

«Tu amas? […] Tu amas-Me?» Pedro havia de caminhar para sempre, até ao fim da sua vida, acompanhado por esta tripla pergunta: «Tu amas-Me?» E mediu todas as suas actividades de acordo com a resposta que então deu. Quando foi convocado perante o Sinédrio. Quando foi metido na prisão em Jerusalém, prisão de onde não devia sair, e da qual contudo saiu. E […] em Antioquia, e depois ainda mais longe, de Antioquia para Roma. E quando, em Roma, perseverou até ao fim dos seus dias, conheceu a força das palavras segundo as quais um Outro o conduziu para onde ele não queria. E sabia também que, graças à força dessas palavras, a Igreja «era assídua ao ensino dos apóstolos e à união fraterna, à fracção do pão e à oração» e que «o Senhor adicionava diariamente à comunidade os que seriam salvos» (Act 2, 42.48). […]

Pedro não pode nunca desligar-se desta pergunta: «Tu amas-Me?» Leva-a consigo para onde quer que vá. Leva-a através dos séculos, através das gerações. Para o meio de novos povos e de novas nações. Para o meio de línguas e de raças sempre novas. Leva-a sozinho, e contudo já não está só. Outros a levam com ele. […] Houve e há muitos homens e mulheres que souberam e que sabem ainda hoje que a sua vida tem valor e sentido exclusivamente na medida em que é uma resposta a esta mesma pergunta: «Tu amas? Tu amas-Me?» Eles deram e dão a sua resposta de maneira total e perfeita – uma resposta heróica –, ou então de maneira comum, banal. Em qualquer dos casos, sabem que a sua vida, que a vida humana em geral, tem valor e sentido graças a esta pergunta: «Tu amas-Me?» É somente graças a esta pergunta que vale a pena viver.

Dá o Espírito sem medida

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Afraate (?-c. 345), monge e bispo de Nínive, perto de Mossul
Exposições, nº 6

«Dá o Espírito sem medida»

Quando, a partir de uma fogueira, acendes outras fogueiras em vários locais, a primeira nem por isso diminui de intensidade. […] O mesmo acontece com Deus e o seu Messias, que são um só, permanecendo embora na multiplicidade dos homens. O sol também não diminui de intensidade pelo facto de a sua potência se difundir sobre a terra. E quão maior é a força de Deus, dado que é pela força de Deus que o sol subsiste. […]

Moisés tinha dificuldade em conduzir sozinho o campo de Israel; então, o Senhor disse-lhe: «Reúne junto de ti setenta homens entre os ancião de Israel. […] Então retirarei parte do espírito que está sobre ti a fim de o pôr sobre eles» (Num 11,16-17). Quando retirou parte do espírito de Moisés e os setenta homens ficaram cheios dele, o de Moisés diminuiu de intensidade? Alguém se apercebeu de que ele tivesse menos espírito? Também o bem-aventurado Paulo diz que Deus partilhou o Espírito do Cristo-Messias e O enviou aos profetas [do Novo Testamento] (1Cor 12,11.28). Mas o Messias nem por isso ficou lesado, porque o Pai deu-Lhe o Espírito sem medida.

É neste sentido que o Cristo-Messias habita nos crentes. E em nada é lesado por ser partilhado com a multidão, porque foi o Espírito de Cristo que os profetas receberam, na medida em que cada um podia tê-Lo em si. E ainda hoje é este mesmo Espírito do Messias que é derramado sobre toda a carne, para que homens e mulheres, jovens e velhos, servos e servas profetizem (Jl 3,1; Act 2,17). O Messias está em nós e está no céu, à direita do Pai. Ele não recebeu o Espírito com limitações; pelo contrário, o Pai amou-O e tudo entregou nas suas mãos, dando-Lhe poder sobre todos os seus tesouros. […] O próprio Senhor o diz: «Tudo Me foi entregue por Meu Pai» (Mt 11,27). […] E o apóstolo Paulo conclui: «Quando se diz que tudo Lhe está sujeito, é claro que se exceptua Aquele que Lhe sujeitou todas as coisas. E, quando tudo Lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho Se submeterá Àquele que tudo Lhe submeteu, a fim de que Deus seja tudo em todos» (1Cor 15,27-28).

O Omnipotente fez em mim maravilhas (Lc 1,49)

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, copadroeira da Europa
Oração de 25 de Março 1379

«O Omnipotente fez em mim maravilhas» (Lc 1,49)

Maria, templo da Trindade, lar do fogo divino, Mãe de misericórdia […], tu és o tronco novo (Is 11,1) que produziu a flor que inebria o mundo, o Verbo, o Filho único de Deus. Foi em ti, terra fecunda, que este verbo foi semeado (Mt 13,3s). Tu escondeste o fogo na cinza da nossa humanidade. Vaso de humildade onde arde a luz da verdadeira sabedoria […], pelo fogo do teu amor, pela chama da tua humildade, atraíste a ti e para nós o Pai eterno. […]

Graças a esta luz, ó Maria, não foste como as virgens insensatas (Mt 25,1s), mas estavas cheia da virtude da prudência. Foi por isso que quiseste saber como se poderia cumprir o que o anjo te anunciava. Tu sabias que «a Deus nada é impossível» e não tinhas qualquer dúvida sobre isso; então porque disseste: «eu não conheço homem»?

Não era a fé que te faltava; foi a tua humildade profunda que te fez dizê-lo. Não duvidavas do poder de Deus, mas consideravas-te indigna de tão grande prodígio. Se te perturbaste com a palavra do anjo, não foi por medo. À luz do próprio Deus, parece-me que foi mais por admiração. E que admiravas tu, ó Maria, senão a imensidade da bondade de Deus? Olhando para ti própria, julgavas-te indigna daquela graça e ficaste estupefacta. A tua pergunta é a prova da tua humildade. Não estavas cheia de medo, mas unicamente de admiração diante da imensa bondade de Deus, comparada com a tua pequenez, com a tua humilde condição.

A paz esteja convosco

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Beato John Henry Newman (1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra
Sermões sobre os temas do dia

«A paz esteja convosco»

O coração de cada cristão deve representar a Igreja Católica, dado que o próprio Espírito faz de toda a Igreja, e de cada um dos seus membros, Templo de Deus (1Cor 3,16). Assim como opera a unidade na Igreja que, entregue a si própria, se dividiria em numerosas parcelas, assim também o Espírito torna una a alma, apesar dos seus diversos gostos e das suas faculdades, das suas tendências contraditórias. Assim como dá a paz à multiplicidade das nações, que estão, por natureza, em discórdia umas com as outras, assim também submete a alma a uma gestão ordenada, estabelecendo a razão e a consciência como soberanas sobre os aspectos inferiores da nossa natureza. […] E tenhamos a certeza de que estas duas operações do nosso divino Consolador dependem uma da outra. Enquanto os cristãos não procurarem a unidade e a paz interiores no seu próprio coração, nunca a Igreja viverá em paz e unidade no seio deste mundo que a rodeia. E, de forma bastante semelhante, enquanto a Igreja se encontrar, por todo o mundo, no lamentável estado de desordem que constatamos, não haverá nenhum país específico – parte simples desta Igreja – que não se encontre necessariamente num estado de grande confusão religiosa.

É algo em que faremos bem em meditar na hora presente, porque nos equilibrará as esperanças e nos dissipará as ilusões; não podemos esperar ter paz em nós se estivermos em guerra fora de nós.

Pôs-Se com eles a caminho

Da Bíblia Sagrada – Edição dos Franciscanos Capuchinhos – www.capuchinhos.org

Comentário do dia:

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Para 6 de Janeiro de 1941

Pôs-Se com eles a caminho

O próprio Salvador, que a Palavra da Escritura coloca diante dos nossos olhos na sua humanidade, mostrando-no-Lo em todos os caminhos que percorreu nesta terra, habita entre nós escondido sob as aparências do pão eucarístico, vem todos os dias até nós como Pão da Vida. Nestes dois aspectos, torna-Se próximo de nós e sob estes dois aspectos deseja que O procuremos e O encontremos. Um chama o outro. Quando vemos o Salvador diante de nós com os olhos da fé, tal como a Escritura no-Lo retrata, aumenta o nosso desejo de O acolher em nós no Pão da Vida. Por sua vez, o pão eucarístico aviva o nosso desejo de conhecer o Senhor sempre com maior profundidade, a partir da Palavra da Escritura, e dá forças ao nosso espírito, com vista a uma melhor compreensão.

“Meus olhos são janelas por onde minha alma aprecia a vida”